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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Destino de navio capturado será troféu ou sinal de derrota para Trump Embarcação USS Pueblo foi interceptada pelos norte-coreanos em 1968 e virou símbolo do orgulho de Pyongyang no conflito com os americanos

Tópico menos mencionado da agenda do encontro entre o presidente dos Estados Unidos e o líder da Coreia do Norte, o destino do USS Pueblo será um troféu tão importante para Donald Trump quanto o compromisso de Kim Jong-Un destruir seu programa nuclear. O USS Pueblo, navio-espião americano que hoje serve como museu em Pyongyang, é um dos temas do conflito entre as duas nações.
Pressionado por setores conservadores, que ainda se lembram do caso e que estão na base de seu apoio, Trump quer o navio de volta para casa. Kim dificilmente quererá se desfazer desse símbolo de triunfo sobre os Estados Unidos.
Sob a alegação de realizar estudos hidrográficos na costa da Coreia do Norte, o navio da Marinha americana foi cercado e tomado pelas Forças Armadas norte-coreanas em janeiro de 1968. Enquanto ainda sob cerco, o capitão Loyd Bucherordenou a queima de todos os documentos confidenciais. Aquela foi a primeira vez, desde 1807, que um navio de guerra americano fora tomado por forças inimigas. No confronto, 14 marinheiros foram feridos e um deles morreu.
A tripulação, com 83 membros, tornou-se prisioneira de Pyongyang por 11 meses. Sob pressão internacional, o então ditador norte-coreano, Kim Il-Sung, avô de Kim Jong-un, autorizou a libertação dos presos, entregues na Ponte de Não Retorno da Zona Desmilitarizada, na fronteira entre as duas Coreias. A liberação ocorreu apesar de um incidente que a poderia ter abortado.
Em dezembro de 1969, Kim Il-Sung aceitara a proposta de fotografar os prisioneiros, para comprovar aos Estados Unidos que eles estavam bem. A revista Time incumbiu-se da tarefa. Posando em uniforme, com os rostos tranquilos, os marinheiros cruzaram os dedos de forma a mostrar o médio – um sinal de que estavam perdidos ou de mandavam ao inferno Pyongyang ou até mesmo Washington.
Os norte-coreanos perceberam mas demoraram para interpretá-lo. Quando cientes do significado, iniciaram a “semana do inferno”, como os prisioneiros descreveram posteriormente a intensificação das torturas.
“Com toda a sinceridade, nunca achei que alguma vez nos libertassem. Talvez libertassem alguns marinheiros, mas tinha como certo que não iam me libertar”, disse Eddie Murphy, um dos cativos, em entrevista ao jornal português Observador.
Os prisioneiros foram devolvidos aos Estados Unidos pelo porto de San Diego e recebidos pelo então governador da Califórnia Ronald Reagan, posteriormente eleito presidente do país. O USS Pueblo jamais retornou aos portos americanos.

Jimmy Carter

Mesmo se conseguir extrair do líder norte-coreano um acordo razoável em Singapura, Trump não terá sido o primeiro. Em outubro de 1994, o então presidente Jimmy Carter assinou na Coreia do Norte um acordo de desarmamento nucler com Kim Jong-Il, depois da retirada de Pyongyang do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Segundo a Times, por meio desse acordo, o avô de Kim Jong-un se comprometeu a congelar as atividades atômicas e a desmantelar as suas instalações nucleares em troca da construção de duas usinas para a geração de eletricidade e de fornecimento de petróleo.
O acordo de Carter e Kim Jong-Il fracassou em 2002, quando os Estados Unidos acusaram a Coreia do Norte de conduzir enriquecimento de urânio. No ano seguinte, os Estados Unidos se engajaram nas negociações da Coreia do Sul, China, Japão e Rússia com a Coreia do Norte – o Acordo das Seis Partes. As conversas continuaram até 2008, quando o pai do atual líder, Kim Jong-il, aceitou acabar com seu programa nuclear. Não demorou um ano para Pyongyang retirar-se do acordo, em protesto contra a condenação internacional ao lançamento de um foguete de longo alcance por seu país.
FONTE:https://veja.abril.com.br
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