Presidente Jair Bolsonaro e governador de São Paulo, João Doria Foto: Carolina Antunes/PR
Após o presidente Jair Bolsonaro divulgar um comunicado à nação brasileira dizendo que nunca teve “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes”, o governador de São Paulo, João Doria, ironizou o presidente. Em sua conta do Twitter, ele afirmou que “o leão virou um rato”.
O texto foi divulgado por Bolsonaro na tarde desta quinta-feira (9). Ele disse ter respeito “pelas instituições da República” e garantiu que sempre esteve “disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes”.
Ao falar da nota, Doria não citou o nome de Bolsonaro, mas usou uma expressão famosa utilizada pelo presidente.
– O leão virou um rato. Grande dia! – escreveu Doria.
Bolsonaro pediu que os ânimos sejam acalmados Foto: PR/Marcos Corrêa
Na quinta-feira (9), ao realizar sua tradicional live pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro disse compreender a chateação de seus apoiadores após seu comunicado à nação. Em nota, Bolsonaro havia declarado que, durante seus discursos nos atos de 7 de setembro, “não houve intenção de agredir quaisquer dos Poderes”.
– Eu sempre disse que ia jogar dentro das quatro linhas da Constituição. Alguns se irritam, querem que eu saia atirando, fechando as instituições, e entendo que estejam chateados […] Queriam que eu respondesse ao presidente do Supremo, Fux, que fez uma nota dura. Também usou da palavra o Arthur Lira, da Câmara; o Augusto Aras, nosso procurador-geral da República. Alguns do meu lado aqui, alguns poucos, vieram até com o discurso pronto: “Tem que reagir, tem que bater”. Calma, amanhã a gente fala. Deixa acalmar para amanhã – disse o presidente da República.
Bolsonaro explicou também sobre a participação do ex-presidente Michel Temer no texto do comunicado.
– Comecei a preparar uma nota. Eu telefonei para Michel Temer. Ele veio a Brasília e colaborou com algumas coisas na nota e publiquei. Não tem nada aí. Eu estou pronto para conversar. Sei que todo mundo me criticou, mas eu sou chefe da nação – acrescentou.
O presidente disse ainda que as manifestações do 7 de setembro foram pacíficas e que os apoiadores “não pediram para fechar nada”.
– Querem democracia, querem que todos joguem dentro da Constituição, querem liberdade, querem que ninguém acorde com a Polícia Federal na porta de casa por causa de fake news – declarou Bolsonaro.
O presidente Jair Bolsonaro vai se reunir nesta quinta-feira (9), em Brasília, com um grupo de caminhoneiros para discutir os protestos que bloqueiam as rodovias em favor do presidente e do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro confirmou a reunião e disse que a conversa será para “tomar uma decisão”. Também participará do encontro, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que assumiu a responsabilidade pela comunicação com os caminhoneiros nesta quarta-feira (8).
Na noite desta quarta, Bolsonaro enviou um áudio aos caminhoneiros pedindo que as estradas fossem liberadas para não “atrapalhar a economia”. O presidente afirmou que os bloqueios prejudicam “em especial, os mais pobres”.
A última greve dos caminhoneiros, ocorrida em 2018, durante a gestão de Michel Temer, causou problemas de desabastecimento no país. De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Fazenda na época, o país perdeu um ponto percentual de crescimento.
Presidente Jair Bolsonaro durante atos de 7 de Setembro Foto: Marcos Corrêa/PR
Nesta terça-feira (7), durante discurso pelo Dia da Independência em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro falou em uma possível convocação do Conselho de República. De acordo com ele, a reunião terá por objetivo mostrar “para onde nós devemos ir”.
– Amanhã, estarei no Conselho da República juntamente com ministros para nós, juntamente com o presidente da Câmara [Arthur Lira (PP-AL)], do Senado [Rodrigo Pacheco (DEM-MG)] e do Supremo Tribunal Federal [ministro Luiz Fux], com essa fotografia de vocês, mostrar para onde nós todos devemos ir – afirmou Bolsonaro.
O Conselho da República é um colegiado criado pela Constituição de 1988 que tem por objetivo opinar sobre diversas temas, entre eles uma intervenção federal, estados de sítio e de defesa, e ainda “questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas”.
O conselho é composto por 15 membros e presidido pelo Presidente da República. Além do chefe do Executivo, integram o colegiado o vice-presidente da República; os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado; os líderes da maioria e da minoria de ambas as Casas legislativas; o ministro da Justiça e seis cidadãos brasileiros com mais de 35 anos, tendo mandatos de 3 anos.
Dos últimos, dois são de escolha do presidente, dois eleitos pelo Senado e dois pela Câmara. Não há nenhum tipo de remuneração para quem integra o conselho.
Os nomes escolhidos por Bolsonaro são o do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e o do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno
O colegiado foi regulamento por uma lei de 1990 e tem por objetivo discutir temas diversos que dependem da avaliação do presidente da República.
A primeira e última vez que o Conselho da República foi acionado foi em 2018, pelo presidente Michel Temer. Na ocasião, o colegiado discutiu a intervenção federal no Rio de Janeiro. Na época a medida foi aprovada com os votos de quase todos os membros, menos os líderes da minoria no Senado, senador Humberto Costa (PT-PE), e na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), que se abstiveram do voto.
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