O Pleno.News obteve com exclusividade a informação de que não procede a notícia veiculada sobre uma tratativa entre o “clã Bolsonaro” e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
De acordo com o interlocutor ligado à família Bolsonaro, a tal foto publicada pela imprensa, utilizada como registro do suposto encontro político, foi, na verdade, uma reunião de aniversário do bispo JB Carvalho, em sua residência. Na imagem aparecem: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Ibaneis Rocha, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma comemoração pelos 57 anos do líder religioso.
Flávio, Michelle e Jair Bolsonaro ao lado de Ibaneis Rocha na celebração do aniversário do bispo JB Carvalho Foto: Arquivo pessoal
Alguns veículos de imprensa afirmaram que o ex-presidente e o governador do DF trataram sobre as eleições de 2026. Também foi colocado que Ibaneis é aspirante a uma vaga no Senado e teria o apoio de Jair Bolsonaro em uma “dobradinha” com Michelle.
DESCONSTRUINDO NARRATIVAS Na tarde desta quinta-feira (26), o perfil do PL Mulher nas redes sociais publicou uma nota desmentindo a notícia. O post foi compartilhado pela presidente do segmento feminino da sigla, Michelle Bolsonaro.
A publicação confirma a informação dada com exclusividade peloPleno.News, nesta quinta-feira, ao afirmar que “a foto publicada foi registrada em um momento de celebração pelo aniversário do bispo JB, em sua casa, e não em uma reunião política, como chegou a ser divulgado por um jornal”.
– Não fiz, nem firmei, qualquer acordo para 2026. As decisões serão tomadas no tempo certo com responsabilidade, diálogo e transparência – declarou Michelle.
A publicação confirma a informação dada com exclusividade pelo Pleno.News, nesta quinta-feira, ao afirmar que “a foto publicada foi registrada em um momento de celebração pelo aniversário do bispo JB, em sua casa, e não em uma reunião política, como chegou a ser divulgado por um jornal”.
– Não fiz, nem firmei, qualquer acordo para 2026. As decisões serão tomadas no tempo certo com responsabilidade, diálogo e transparência – declarou Michelle.
INSS (Imagem ilustrativa) Foto: RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou nesta terça-feira (24) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o órgão pode iniciar o ressarcimento dos descontos irregulares nos benefícios de aposentados e pensionistas no dia 24 de julho. A proposta foi apresentada durante audiência de conciliação convocada pela Corte para tratar do assunto.
De acordo com a proposta, os pagamentos seriam feitos de 15 em 15 dias, a partir da data inicial. Cada lote deve contar com o ressarcimento de 1,5 milhão de beneficiários. Os valores serão corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação.
De acordo com o presidente do INSS, Gilberto Waller, o calendário de pagamento dependerá da validação do ministro Dias Toffoli, relator da ação que trata dos descontos no STF.
– A gente tem várias situações que poderiam gerar dúvidas em uma judicialização, como índices de correção, prazo prescricional, responsabilização por dano moral do INSS. A gente precisava de uma peça que pudesse ter um grande acordo, para ter uma solução definitiva para os aposentados e pensionistas – afirmou.
O presidente do instituto também garantiu que o INSS vai fazer a devolução integral dos valores descontados.
– A nossa ideia é que, de maneira rápida e célere, venha a fazer o ressarcimento de todos de maneira integral – completou.
Segundo o INSS, cerca de 3,4 milhões de aposentados reconheceram os descontos irregulares após serem notificados pelo instituto para se manifestarem sobre as irregularidades.
CONCILIAÇÃO
A audiência de conciliação foi convocada no âmbito da ação protocolada pela Advocacia-Geral da União (AGU) para solicitar que o ressarcimento seja avaliado pelo Supremo.
Na semana passada, Dias Toffoli determinou a suspensão da prescrição das ações protocoladas na Justiça em busca do ressarcimento. A decisão vale para todas pretensões indenizatórias de aposentados e pensionistas que foram lesados pelos descontos indevidos.
Contudo, o ministro deixou de analisar os pedidos da AGU para abertura de crédito extraordinário no orçamento para viabilizar o ressarcimento e a exclusão dos valores do teto de gastos da União para os anos de 2025 e 2026. A suspensão nacional das ações que tratam do pagamento também não foi analisada.
Segundo Toffoli, os requerimentos serão analisados no decorrer da tramitação da ação que trata da questão no Supremo.
BLOQUEIOS Até o momento, a Justiça Federal já bloqueou R$ 2,8 bilhões em bens de empresas e investigados envolvidos nas fraudes em descontos irregulares nos benefícios.
As fraudes são investigadas na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um esquema nacional de descontos de mensalidades associativas não autorizadas. Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões foram descontados de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.
Zoe Martinez e Erika Hilton Fotos: Richard Lourenço / Rede Câmara | Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Durante sessão plenária desta terça-feira (24), na Câmara Municipal de São Paulo, a vereadora Zoe Martinez (PL) criticou duramente a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) pela contratação de dois maquiadores como assessores parlamentares com salários pagos com recursos públicos.
Zoe ironizou a situação, mas parabenizou o trabalho dos profissionais contratados mostrando o antes e o depois da psolista, no início da transição de gênero, quando ela tinha cabelos, nariz, boca e até a cor de pele diferentes.
– Tem que tirar o chapéu para esses assessores barra maquiadores, porque eles conseguem fazer realmente o milagre – declarou Zoe
Segundo a vereadora, a situação representa um escândalo ignorado pela grande mídia.
– Aí eu pergunto: cadê a imprensa? Cadê a Globo? Imagina um parlamentar de direita com um escândalo desses – questionou.
Ela também cobrou uma reação das instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ela, “só serve para perseguir a direita”.
Zoe finalizou dizendo que, se a deputada deseja continuar utilizando serviços de maquiagem, deveria arcar com os custos.
– Se ela quer fazer milagre na cara dela, que pague com o dinheiro dela, do salário dela – concluiu.
A fala da vereadora ocorre após denúncias sobre a nomeação de maquiadores no gabinete de Érika Hilton, o que tem motivado representações no Ministério Público Federal e no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.
Vladimir Putin e Xi Jinping Foto: EFE/EPA/ALEXEI DRUZHININ / KREMLIN / SPUTNIK
Os governos da Rússia e da China se pronunciaram após os Estados Unidos entrarem diretamente no conflito entre Israel e Irã com o ataque americano contra três instalações nucleares iranianas realizado neste sábado (21). Em seu pronunciamento, a Rússia classificou os ataques dos Estados Unidos como “irresponsáveis” e exigiu “o fim da agressão”.
– A decisão irresponsável de submeter o território de um Estado soberano a ataques com mísseis e bombas, independentemente dos argumentos utilizados, viola gravemente o direito internacional, a Carta das Nações Unidas e as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que classificam tais ações como inaceitáveis – disse o Ministério das Relações Exteriores russo em comunicado.
A pasta disse ainda que “é especialmente alarmante que os ataques tenham sido realizados por um país membro permanente do Conselho de Segurança da ONU” e pediu uma pronta avaliação da situação e uma resposta “honesta” da direção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que monitorava o programa nuclear do Irã.
Em um tom parecido com o dos russos, o Ministério das Relações Exteriores da China disse, em nota, que os ataques dos Estados Unidos a instalações nucleares iranianas “exacerbaram as tensões no Oriente Médio” e “violam seriamente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e a legalidade internacional”.
– A China apela às partes em conflito, e a Israel em particular, para que alcancem um cessar-fogo o mais rápido possível, garantam a segurança dos civis e iniciem o diálogo e a negociação – diz o texto divulgado pela chancelaria chinesa.
O comunicado acrescenta ainda que a China está preparada “para trabalhar com a comunidade internacional para unir esforços, defender a justiça e trabalhar para restabelecer a paz e a estabilidade no Oriente Médio”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que aviões de combate americanos bombardearam três instalações nucleares importantes do Irã, o que marca uma importante escalada na guerra em curso entre Irã e Israel, à qual Teerã respondeu, até o momento, atacando novos alvos israelenses.
Maior vazamento de senhas pode ter exposto bilhões de dados Foto: Freepik
Pesquisadores do site independente Cybernews, especializado em segurança digital, identificaram aquele que pode ser considerado o maior vazamento de logins já registrado. De acordo com a investigação, cerca de 16 bilhões de credenciais digitais foram expostas de forma indevida na internet.
O material, segundo os especialistas, não é apenas uma coleção de vazamentos antigos já conhecidos. Grande parte das informações parece ser recente e inédita, o que aumenta a preocupação com possíveis usos criminosos. O material foi encontrado distribuídos em 30 bancos de dados diferentes, cada um contendo desde dezenas de milhões até mais de 3,5 bilhões de registros individuais.
Os pesquisadores, no entanto, alertam que pode haver sobreposição entre os conjuntos, o que impede uma contagem exata de quantas pessoas ou contas foram atingidas. Os responsáveis pelo levantamento também afirmam que os registros provavelmente não são fruto de um único ataque, mas sim resultado de ações de diferentes “ladrões”.
Entre os arquivos analisados, um dos maiores chama atenção por estar possivelmente vinculado a usuários de língua portuguesa, com mais de 3,6 bilhões de registros. Outro, com 455 milhões de entradas, tem relação com a Rússia, segundo os pesquisadores. De acordo com o Cybernews, as credenciais vazadas incluem mídias sociais, plataformas corporativas, VPNs e até portais de desenvolvedores.
O aspecto mais preocupante, segundo os pesquisadores, é justamente o fato de que os dados são atuais. Embora os arquivos tenham ficado disponíveis online por um período curto, os especialistas acreditam que houve tempo suficiente para que hackers e cibercriminosos acessassem o conteúdo.
Simone Tebet, ministra do Planejamento, Fernando Haddad, da Fazenda, e Lula Foto: Ricardo Stuckert/PR
O governo Lula aumentou os gastos em ritmo quase duas vezes maior que o da arrecadação entre 2023 e 2025. A diferença pode levar a um colapso nas contas públicas a partir de 2027, com risco de “shutdown” — quando faltaria dinheiro até para manter serviços básicos.
A receita líquida cresceu R$ 191,3 bilhões no atual mandato, enquanto as despesas subiram R$ 344 bilhões, devendo ultrapassar a arrecadação em 2025. O déficit primário pode chegar a 0,77% do PIB, o que tende a aumentar a dívida pública em cerca de 12 pontos percentuais.
Para conter a escalada dos gastos, o governo tenta ampliar a arrecadação com novas taxações, como sobre apostas esportivas, fintechs e investimentos hoje isentos. Parte das propostas enfrenta resistência no Congresso.
Apesar das regras fiscais do arcabouço, criado em 2023, a gestão federal tem usado brechas para ampliar os gastos. Programas como o Minha Casa Minha Vida e o Desenrola são financiados com recursos fora do orçamento primário, o que aumenta a dívida, mas não afeta o teto das despesas.
O crescimento das despesas também é impulsionado por regras automáticas. Saúde e educação, por exemplo, recebem percentuais fixos da arrecadação líquida. Com o aumento das receitas, esses gastos sobem na mesma proporção. Além disso, a política de valorização do salário mínimo gera reajustes acima da inflação, o que eleva os custos da Previdência.
Pagamentos como o BPC, que atende idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, também aumentaram. O número de beneficiários cresceu em mais de um milhão desde o início do governo. Já as emendas parlamentares passaram de R$ 35,6 bilhões para R$ 50,4 bilhões, pressionando ainda mais o orçamento.
Para especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, se o ritmo atual continuar, a partir de 2027 o governo pode não ter recursos para manter serviços básicos em funcionamento, como combustível para viaturas, internet, luz e água em órgãos públicos. Os gastos livres, conhecidos como discricionários, seriam os mais afetados.
Diante do cenário, a expectativa é de que medidas mais duras sejam necessárias após as eleições de 2026, como mudanças nas regras que vinculam gastos em saúde, educação e no reajuste do salário mínimo. As informações são da Folha de S.Paulo.
Márcio França Foto: FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL
O ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), criticou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele se manifestou por meio das redes sociais, nesta quinta-feira (20).
Em um vídeo, França disse que Tarcísio “humilhou toda a comunidade árabe”. O comentário se deve ao fato de o governador de São Paulo ter segurado uma bandeira de Israel durante a Marcha para Jesus, nesta quinta (19), na capital paulista.– Sinceramente, fazer um gesto de humilhação, apoiando alguém para poder humilhar esses povos é um erro grave do governador de São Paulo, que não tem nada a ver com a guerra. São Paulo é um Estado da Federação, não tem que se meter em guerra de ninguém – apontou ainda o ministro do governo Lula (PT).
Alexandre de Moraes e Silas Malafaia Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE; Foto: Reprodução/YouTube Silas Malafaia Oficial
Em decorrência de mais uma “mentira” – revelada pela revista Veja – na delação do ex-ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro (PL), o pastor Silas Malafaia usou suas redes sociais, nesta sexta-feira (13), para pedir a anulação do inquérito do “golpe”.
Na publicação, o líder religioso afirma que a prisão do ex-ministro de Bolsonaro, Gilson Machado, é apenas uma cortina de fumaça criada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para “desviar a atenção”.
– O advogado de Bolsonaro botou uma pegadinha, uma casca de banana para Mauro Cid, na hora lá do depoimento, dizendo: “Vem cá, você usou redes sociais da sua mulher para conversar com pessoas?”. Ele ficou nervoso e o advogado dele também. Agora, ontem, no dia 12, quinta-feira, capa da revista Veja: “Mauro Cid mentiu”. Isto é, a revista Veja teve acesso a conversas de Mauro Cid usando uma outra rede social, depois da delação que ele fez, desmentindo a delação, dizendo que o delegado da Polícia Federal pressionou e queria induzir, para ele responder o que o delegado queria, falando que também foi ameaçado e pressionado por Alexandre de Moraes, e falou um monte de Alexandre de Moraes. Inocenta Bolsonaro. A delação de Mauro Cid é nula.
Malafaia destacou que todo o inquérito está baseado nas delações do coronel Mauro Cid e, agora, todo o inquérito ruiu.
– Eu quero perguntar ao procurador-geral, Paulo Gonet, e aos demais ministros do STF: os senhores vão manter essa farsa de pseudogolpe, baseado numa delação que é nula? E agora, olha como esse Alexandre de Moraes é sagaz. Hoje, dia 13, ele manda prender o ex-ministro de Bolsonaro, Gilson Machado. Hoje. É uma cortina de fumaça para desviar a reportagem séria e grave da Veja, que anula todo esse inquérito, que não passa de perseguição política comandada por Alexandre de Moraes. (…) Para desviar a atenção do povo e da imprensa.
O pastor fez um apelo à imprensa brasileira, à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), aos deputados e senadores, cobrando uma reação imediata.
– Aonde vamos parar com isso? Que país é esse? O Estado Democrático de Direito sendo jogado na lata do lixo – disparou Malafaia.
A revista Veja trouxe uma notícia que pode macular toda a ação penal do suposto golpe de estado, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro (PL), teria mentido em seu mais recente depoimento, ao negar que não se comunicou acerca da investigação.
Ao ser interrogado nesta semana, Cid afirmou que não fez uso de redes sociais no período em que estava sob medidas restritivas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes.
Ele foi questionado pelo advogado de Jair Bolsonaro, Celso Vilardi, se teria feito uso de algum perfil no Instagram que não está no nome dele. O militar, tenso, negou.
Foi aí que Vilardi o perguntou se ele tinha conhecimento de um perfil chamado @gabriela702, ao que Cid respondeu:
– Esse perfil, eu não sei se é da minha esposa.
A Veja exibe em sua reportagem prints de uma suposta troca de mensagens entre Mauro Cid, utilizando um perfil de nome “Gabriela R”, com um interlocutor próximo a Jair Bolsonaro. A matéria expõe um jogo duplo do militar, que relatava na conversa uma versão diferente da que ele apresentou em seu depoimento da Primeira Turma do STF.
Na condição de réu colaborador, o ex-ajudante de ordens assumiu com a Justiça o compromisso de falar a verdade. Ao descumprir, ele pode perder os benefícios e sua delação terá de ser anulada.
De acordo com a matéria da Veja, Vilardi tinha conhecimento que Cid havia violado ao menos duas determinações impostas por Moraes, que é relator da ação penal no STF.
Em suas confissões extrajudiciais, o perfil que seria utilizado por Cid contou que o delegado responsável pelo inquérito tentava manipular seus relatos, e que Alexandre de Moraes estava decidido pela condenação de alguns réus mesmo antes do julgamento.
Essas mensagens, expostas na reportagem da Veja, teriam ocorrido entre 29 de janeiro e 8 de março de 2024, período que corresponde a cinco meses antes do acordo de colaboração premiada ser homologado por Moraes.
Ainda de acordo com a revista, Mauro Cid revelou os extensos depoimentos a que foi submetido, relatando uma oitiva de “três dias seguidos”, além de seu desconforto quanto ao trabalho parcial dos investigadores.
– Toda hora queriam jogar para o lado do golpe… e eu falava para trocar porque não era aquilo que tinha dito – contou.
O tenente-coronel manifestou, segundo a revista, pessimismo diante da ávida inclinação pela condenação dos réus.
– Eu acho que já perdemos… Os Cel PM (coronéis da Polícia Militar do Distrito Federal) vão pegar 30 anos… E depois vem para a gente.
Diante do cenário adverso, nas mãos de quem estaria atuando para condená-los, Cid entendeu que somente o Congresso poderia intervir para sustar esses arbítrios.
– Só o Pacheco ou o Lira vai (sic) nos salvar. O STF está todo comprometido. A PGR vai denunciar – declarou.
O acordo de colaboração é construído sobre contrapartidas rígidas. Para gozar de tais benefícios, o delator não pode mentir, omitir, desviar a investigação, apresentar versões controversas, nem agir em prol da proteção de ninguém.
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, negou, no depoimento prestado à Polícia Federal nesta sexta-feira (13) que tenha planejado fugir para os Estados Unidos, onde sua filha mora e estuda. Seu advogado, Cezar Bitencourt, afirmou ao Estadão que essa versão é uma “idiotice” inventada pelo ex-presidente e garantiu que seu cliente tem cumprido todos os compromissos como delator.
– Nunca houve tentativa de fuga. O Cid não tem por que fugir. De onde surgiu essa idiotice? Do Bolsonaro. Ele inventou isso. O Cid está cumprindo a parte dele. A família do Cid mora nos EUA, a filha dele estuda lá.
O militar também negou ser autor das mensagens reveladas por reportagem da revista Veja em que ele supostamente confessou ter mentido ao Supremo Tribunal Federal.
– Não tem troca de mensagens. Isso não existe.
Cid prestou depoimento de três horas e meia à Polícia Federal (PF), nesta sexta, após investigadores encontrarem indícios de que o ex-ministro do Turismo Gilson Machado tentou obter um passaporte português para o militar.
Machado foi preso. Cid chegou a ter sua prisão decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, mas o ato foi revogado em seguida. Mauro Cid chegou à sede da PF por volta das 11h, de carro, e não deu declarações à imprensa. Também não se pronunciou ao final.
O ex-ajudante de ordens é delator na ação que apura um plano coordenado por auxiliares de Bolsonaro para evitar a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dar um golpe de Estado. Também é réu no chamado núcleo 1 da trama golpista.
Na última segunda (9) ele confirmou, no interrogatório conduzido por Moraes no STF, que recebeu do general Walter Braga Netto, então ministro da Casa Civil, uma caixa de vinho com dinheiro para o major do Exército Rafael Olveira, um dos “kids pretos”, um grupo especial da Força.