Nesta quinta-feira (2), o ex-vice-presidente e agora senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) comentou uma “revelação” feita mais cedo por Marcos do Val (Podemos-ES) sobre um suposto golpe envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para Mourão, o conteúdo narrado por do Val não tem fundamento.
A declaração foi dada durante entrevista ao colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
– Ele falou uma coisa de manhã, outra no final da manhã, outra no início da tarde. Então não achei nada (…) Acho que não [tem nenhum fundamento] – ressaltou.
Na madrugada desta quinta, Marcos do Val chegou a dizer que o ex-deputado Daniel Silveira o teria chamado para conversar sobre “um assunto importante” com Jair Bolsonaro. De acordo com o primeiro relato, o senador teria sido convidado pelo próprio Bolsonaro para participar de um plano que representaria uma tentativa de golpe de Estado. A ideia era obter um áudio incriminador contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a manhã, no entanto, Marcos do Val mudou a versão e afirmou que o plano para gravar escondido uma conversa com Moraes teria sido ideia apenas de Daniel Silveira, como forma de incriminar e prender o ministro. Desta vez, Bolsonaro teria ficado em silêncio durante a conversa.
Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o senador Davi Alcolumbre Foto: Agência Senado/Jefferson Rudy
O grupo do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ficou com todos os cargos de direção da Casa, em eleição realizada nesta quinta-feira (2), e isolou o bloco do senador Rogério Marinho (PL-RN), derrotado na disputa para a presidência do Senado. O resultado reforça o domínio da cúpula atual e a articulação do senador Davi Alcolumbre (União-AP), padrinho do presidente do Senado e principal cabo eleitoral da eleição.
Alcolumbre é criticado por adversários e colegas do próprio partido por concentrar poderes e até criar um “governo paralelo” em seu gabinete, dizendo quem fica com cargos, quem assume as comissões e quem leva as verbas do governo federal.
O grupo de Rogério Marinho teme ficar isolado após a derrota. Há dois anos, o PL e o ex-presidente Jair Bolsonaro apoiaram a eleição de Pacheco e ficaram com um cargo na Mesa do Senado, agora dominada pelo grupo que apoiou a reeleição do senador do PSD.
Pacheco foi eleito com 49 votos na noite de quarta (1), contra 32 de Rogério Marinho. Além disso, o PL havia ficado com a maior bancada do Senado após as eleições de outro, mas o PSD filiou novos integrantes e ficou com a liderança, somando 15 senadores. O PL tem 13.
Os demais cargos foram escolhidos em uma votação única, com 66 votos favoráveis, 12 contrários e duas abstenções, em uma votação secreta. A composição ficou a seguinte: primeiro vice-presidente – Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB); segundo vice-presidente – Rodrigo Cunha (União-AL), primeiro secretário – Rogério Carvalho (PT-SE), segundo secretário – Weverton Rocha (PDT-MA), terceiro secretário – Chico Rodrigues (PSB-RR); e quarto secretário – Styvenson Valentim (Pode-RN). Todos são aliados de Pacheco e Alcolumbre.
O PL tentou ficar com a segunda vice-presidência, posto que comandou nos últimos dois anos. O grupo lançou Wilder Morais (PL-GO) para disputar a vaga, mas abriu mão na última hora. Isolada, a tentativa da bancada é atrair colegas insatisfeitos com Alcolumbre e tentar um acordo para comandar comissões importantes da Casa.
A mais cobiçada é a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado que Alcolumbre presidiu nos últimos dois anos.
O PL enfrentou uma crise interna e traições durante a eleição para a presidência do Senado. Romário (PL-RJ) anunciou voto em Rodrigo Pacheco. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, realizou uma “intervenção” no gabinete do senador durante a sessão de quarta e ordenou que ele votasse em Rogério Marinho.
O grupo, no entanto, calcula que o senador acabou mantendo o voto em Pacheco, olhando o placar da eleição.
O comando das comissões deve ser definido no próximo mês. O grupo de Pacheco se articula para presidir a CCJ com Davi Alcolumbre, a Comissão de Assuntos Econômicos com Vanderlan Cardoso (PSD-GO) e a Comissão de Relações Exteriores (CRE) com Renan Calheiros (MDB-AL).
Com um bloco formado por PSD, União Brasil e MDB, a cúpula do Senado espera garantir as três comissões.
– Nesse momento, como sempre eu acredito, é a politica que resolve as coisas – afirmou o líder do PL no Senado, Flávio Bolsonaro (RJ), ao pedir um acordo pelos colegiados e anunciar que o partido estaria desistindo de concorrer a um cargo na Mesa.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse, nesta sexta-feira (2), que o governo federal exonerou uma servidora que trabalhou com ela e que estava de licença-maternidade. A informação foi divulgada por Michelle em uma publicação feita nos stories do Instagram.
– O governo do “o amor venceu” exonerou a minha funcionária que estava de licença maternidade. Quanta hipocrisia! – escreveu Michelle.
A estabilidade no emprego para funcionárias que atuam sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é garantida pela legislação. No entanto, por falta de uma previsão legal clara a respeito da aplicação dessa regra para servidoras públicas, as demandas sobre o tema são constantemente levadas ao Judiciário, que tem, na maioria das ações, reconhecido a estabilidade.
Uma possível uniformização do entendimento sobre assunto na Justiça deve ser obtida após o julgamento de um recurso extraordinário que está marcado para maio deste ano no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ação, a Suprema Corte avalia justamente se a gestante contratada pela administração pública faz jus ao benefício da licença-maternidade e à estabilidade provisória.
No processo, o STF já reconheceu a chamada repercussão geral, ou seja, a decisão que for tomada pela Corte será aplicada a ações cuja demanda seja similar ao tema, tanto no âmbito do Supremo quanto nos casos que tramitarem nas instâncias inferiores.
Marcos do Val Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a tomar o depoimento do senador Marcos do Val (Podemos-ES) na investigação sobre os atos que aconteceram em Brasília no dia 8 de janeiro.
Ao pedir autorização para marcar o interrogatório, o delegado Raphael Soares Astini disse que o senador “recentemente divulgou em suas redes sociais possuir informações relevantes” para a investigação.
Mais cedo, Marcos do Val acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de tentar articular um golpe de Estado, mas já mudou sua narrativa.
Em despacho nesta quinta-feira (2), Moraes disse que a “circunstância deve ser esclarecida”. O ministro também sinalizou que a “intenção golpista” pode ser enquadrada como crime de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O pedido para ouvir o senador foi feito no inquérito que se debruça sobre o papel de autoridades nos protestos extremistas na Praça dos Três Poderes. O rol de investigados inclui o governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e o ex-ministro da Justiça e ex-secretário da Segurança Anderson Torres, que está preso preventivamente.
A PF tem outras três linhas de investigação, divididas por núcleos por causa do volume de investigados. As frentes de apuração miram em instigadores e autores intelectuais, executores e financiadores dos atos golpistas. Bolsonaro também está sendo investigado, sob suspeita de incitar os radicais. O ex-presidente está nos Estados Unidos desde o final do ano passado.
Marcos do Val Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O senador Marcos do Val (Podemos-ES) recuou e disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não tentou coagi-lo a dar um golpe de Estado. A declaração foi dada, nesta quinta-feira (2), durante entrevista coletiva em seu gabinete. As informações são do site O Antagonista.
Ele havia dito à revista Veja que foi chamado para uma reunião na Granja do Torto. Na ocasião, segundo o senador, foi discutida a possibilidade de um golpe.
Na coletiva desta quinta, Marcos do Val falou que o ex-deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) teria sido o responsável por convencê-lo e a Bolsonaro a embarcar em uma “ação esdrúxula”.
– Não houve, eu acho que saiu na imprensa aí que o presidente me coagiu. O que ficou muito claro para mim, era o Daniel tentando achar uma forma de não ser preso de novo (…). Ficou muito claro que ele estava num movimento de manipular e ter o presidente comprando a ideia dele se um senador aceitasse a missão. Ele [Bolsonaro] também não impediu o Daniel. Mas ficou claro que é o Daniel desesperado. O Daniel estava querendo manter o contato dele, querendo ser o chefe de gabinete do Magno Malta, e ele queria ficar no Congresso, para manter o network. Eu estava em um momento aí de muita raiva, foi aquele desabafo que você fica nervoso, qualquer discussão de casal você fala coisas e depois se arrepende do que fala, mas isso aí não aconteceu – disse.
Senador Marcos do Val Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Após anunciar em seu perfil no Instagram que estava decidido a deixar a vida política, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) recuou, dizendo que se tratou de um desabafo, após a polêmica sobre seus cumprimentos a Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), na noite desta quarta-feira (1º). Segundo ele, a possibilidade de renúncia é “zero”.
– Essa possibilidade de ter alguém assumindo no meu lugar… zero. Eu não posso deixar todo o trabalho que fiz até aqui ser destruído. Eu também não posso largar a missão que assumi, sozinho até agora, de apresentar para a sociedade e para a imprensa quem prevaricou – disse o senador, em entrevista coletiva em seu gabinete, nesta quinta (2).
Em seu texto publicado na madrugada desta quarta (1º), o parlamentar havia se queixado de ataques e que chegou a sofrer um princípio de infarto. Ele afirmou que a saída era definitiva.
– Perdi a convivência com a minha família em especial com minha filha. Não adianta ser transparente, honesto e lutar por um Brasil melhor, sem os ataques e as ofensas que seguem da mesma forma (…). Nos próximos dias, darei entrada no pedido de afastamento do senado e voltarei para a minha carreira nos EUA – escreveu na ocasião.
De acordo com o senador, a decisão de fato estava tomada, mas ele repensou quando acordou na manhã desta quinta.
– Quando eu postei isso, eu estava decidido mesmo a reunir a minha equipe para tomar a decisão se realmente iria sair (…). A decisão ainda não foi tomada se eu permaneço – afirmou na coletiva.
E continuou:
– Eu nunca fui político. Quando você entra aqui (…) tem hora que a gente fica com vontade de ir embora, porque você é colocado em uma posição como se quisesse estar tirando proveito, querendo enriquecer.
O senador também reafirmou que está cobrando Rodrigo Pacheco para instalar a “CPI do Terrorismo”.
Glória Maria ao lado das duas filhas Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
A jornalista e apresentadora Glória Maria, que faleceu na manhã desta quinta-feira (2) no Rio de Janeiro, deixa duas filhas adolescentes: Maria, de 15 anos, e Laura, de 14. As duas foram adotadas pela comunicadora em 2009, após uma viagem dela à Bahia.
De acordo com o jornal O Globo, Glória se encantou com Maria durante um trabalho voluntário em um orfanato em Salvador. Após conhecer a menina, ela também se apaixonou por Laura, mas sem saber que as duas eram irmãs biológicas. A partir disso, a jornalista decidiu adotar as duas.
Ao todo, o processo de adoção das jovens levou 11 meses para ser concluído. Durante esse tempo, Glória chegou a mudar de estado para ficar mais perto das crianças enquanto o processo tramitava na Justiça. Desde que adotou as meninas, Glória fazia diversos registros das filhas nas redes sociais em momentos do cotidiano, como aulas de balé e férias em família.
Na última postagem sobre as filhas feita no Instagram, em setembro do ano passado, Glória lamentou não poder acompanhar as filhas no Rock in Rio por causa de sua saúde.
– Foram com a minha comadre Verônica, e a madrinha Júlia. Se divertiram, mas, se Deus quiser, no próximo evento vamos estar juntas. Por enquanto preciso me cuidar. Mas tenho fé, e logo estarei de volta brilhando – escreveu Glória na legenda.
Glória morreu na manhã desta quinta em decorrência de um câncer no cérebro. A jornalista estava internada no Hospital Copa Star, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Em 2019, ela foi diagnosticada com câncer de pulmão, que depois evoluiu para um quadro de metástase no cérebro. A apresentadora vinha fazendo tratamento com radioterapia e imunoterapia.
Lula e Pacheco Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza, nesta quarta-feira (1°), a cerimônia de abertura do ano judiciário no plenário reconstruído após atos que resultaram na depredação da sede da Corte. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), devem discursar após a presidente do Supremo, ministra Rosa Weber.
Outras autoridades que devem discursar são o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti.
O prédio do STF foi severamente destruído no dia 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas por manifestantes. Uma estimativa inicial feita pela Corte à Advocacia-Geral da União (AGU) calcula R$ 5,9 milhões em danos. Apesar da reabertura do plenário, o restante do prédio-sede continua em reforma.
A primeira sessão do STF será realizada ainda na quarta, às 15h. Na pauta, o primeiro processo que deve ser julgado pelos ministros diz respeito aos “limites da coisa julgada” na área tributária. A discussão é sobre a quebra automática de decisões em caso de novos entendimentos do STF.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também fará uma solenidade de abertura às 14h, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 19h.
Joice Hasselmann Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O PSDB marcou para a noite desta terça-feira (31) a reunião para votar a expulsão de Joice Hasselmann do partido, mas não haverá necessidade. A parlamentar que chegou a ser a deputada mais votada do Brasil, nas eleições de 2018, e não conseguiu se quer se reeleger, no ano passado, se antecipou ao partido e pediu seu desligamento da legenda, nesta terça-feira (31), minutos antes do encontro entre tucanos.
A reunião teria a presença de 71 membros e 58 presidentes zonais para discutir os pedidos de expulsão apresentados contra Joice.
– A parlamentar tem feito comentários que desrespeitam a ética e integridade do partido, agindo com incoerência e imprudência – diz um trecho da nota do PSDB, assinada pelo presidente municipal Fernando Alfredo.
Ele disse em entrevista à Folha de S. Paulo, nesta terça (31), que Joice é incoerente quando critica o partido e deixou claro que também pediria sua expulsão da legenda.
– É bom lembrar que ela [Joice] pegou o teto do fundo eleitoral no PSDB, de R$ 3 milhões, para ter esse vexame de votos. Ela foi vítima da sua própria incoerência – disparou Fernando Alfredo.
Joice rompeu com o então presidente Jair Bolsonaro (PL), foi acusada de trair a confiança do chefe do Executivo, deixou o Partido Liberal e se tornou oposição ferrenha a Bolsonaro, o atacando quase que diariamente. Com essa postura, perdeu seu capital político quase que integralmente, e na eleição do ano passado viu tudo ruir. Ela, que veio candidata pelo PSDB, perdeu um milhão de votos e foi derrotada na eleição para deputada federal.
Seus votos minguaram de mais de 1 milhão, em 2018 [quando Joice surfou na onda Bolsonaro], para ínfimos 13.679 em 2022.
Na noite desta terça (31), Joice Hasselmann usou suas redes sociais para comunicar seu desligamento do PSDB e, de maneira breve, se despediu.
– Acabo de comunicar ao presidente estadual do PSDB minha decisão de deixar o partido. Entrei no PSDB com a vontade de ajudar na renovação do partido, na construção de um novo @PSDBoficial. Infelizmente não foi assim. Agradeço aos colegas e ao PSDB por esse breve tempo juntos.