Polícia e Exército durante operação para desmobilizar acampamento Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Os oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) investigados na Operação Lesa Pátria, que mira os atos ocorridos na Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro, afirmaram que o Exército impediu a desmobilização do acampamento montado em frente ao Quartel-General em Brasília.
Os depoimentos prestados à Polícia Federal (PF) confirmam o que já havia sido relatado pelo governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e pelo ex-secretário de Segurança Anderson Torres, que está preso preventivamente na investigação.
O coronel Jorge Eduardo Naime Barreto, que era chefe do Departamento Operacional da corporação, setor responsável pelo planejamento da operação de segurança para o dia 8 de janeiro, disse que houve “diversas reuniões” para desmontar o acampamento. Ele estava de licença no dia dos atos em Brasília e foi preso na última fase da Lesa Pátria.
– O Exército frustrou todos os planejamentos e tentativas – disse Barreto em depoimento.
O comandante Paulo José Ferreira de Souza Bezerra, que substituiu o coronel no cargo e foi alvo de um mandado de busca e apreensão nesta semana, declarou que a PM do DF chegou a mobilizar 500 agentes para desmontar o acampamento.
– Não houve entendimento com o Exército para prosseguimento da referida operação – afirmou ao acrescentar que não tinha mais detalhes das negociações.
Os oficiais investigados na Operação Lesa Pátria também afirmaram que o efetivo mobilizado no dia 8 de janeiro não era suficiente para conter os manifestantes. A avaliação foi feita pelo major Flávio Silvestre de Alencar e pelo tenente Rafael Pereira Martins, que foram presos temporariamente na investigação.
Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Nesta quinta-feira (9), o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), foi às redes sociais para criticar o discurso do secretário extraordinário do Ministério da Fazenda para a Reforma Tributária, Bernard Appy. Em evento promovido na quarta-feira (8), pelo RenovaBR, Appy afirmou que o ISS é imposto “do passado” e defendeu a unificação do tributo ao ICMS.
– E eu pensando que tinha votado em Lula contra o autoritarismo. Nada pode ser pior no mundo do que “técnico” autoritário. Ele pode não saber, mas uma das grandes conquistas da CF de 88 foi elevar os municípios a entes federativos. Essa independência, somada a muitas obrigações definidas pela Constituição, só pode se dar na prática com a capacidade arrecadatória própria dos governos locais – escreveu Paes.
O prefeito declarou que, por este caminho, a proposta fracassará. Disse ainda que pode haver reação dos prefeitos contra “essa absurda tese”.
– Se acha que vai avançar com a reforma tributária assim, certamente teremos mais uma proposta fracassada à frente. É só aguardar a reação e a pressão de todos os prefeitos do Brasil, a começar por esse aqui, contra essa absurda tese – publicou.
Na quarta, Appy afirmou que o Brasil é, atualmente, o último país do mundo que separa tributação de mercadorias e serviços.
– Tributar em separado gera uma cumulatividade que distorce a economia. E a indústria hoje consome cada vez mais serviços – falou.
Na ocasião, ele negou que as prefeituras perderão autonomia com a unificação do ISS e ICMS.
Appy é autor da reforma incluída na PEC 45, que tramita na Câmara. O texto substitui cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por um imposto sobre bens e serviços e um imposto seletivo sobre cigarros e bebidas alcoólicas.
A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já defendeu uma proposta que junte à PEC 45 ao texto da PEC 110, do Senado. Esta última propõe um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, sendo um para a União e outro para entes subnacionais.
Michelle Bolsonaro Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entende que qualquer avaliação sobre uma possível candidatura de Michelle Bolsonaro a cargo eletivo em 2026 ainda é prematura. Sua opinião não é a mesma do presidente de sua legenda, Valdemar Costa Neto, que trata com mais seriedade o nome da ex-primeira-dama como opção para a Presidência da República, de acordo com a coluna de Bela Megale, de O Globo.
– Depende do que vai acontecer lá na frente. Tem muita coisa para acontecer em quatro anos. Michelle tem capital político, vocação, mas não sei se tem vontade – disse Flávio.
O senador garante que ele e Jair Bolsonaro nunca trataram desse assunto em razão da ex-primeira-dama nunca ter manifestado tal intenção. Com seu nome pulverizado na cena política como possível candidata ao Planalto, Michelle usou suas mídias sociais para dizer que não tem intenção de concorrer à vaga.
– Acho bom o nome dela ficar na roda. Ela traz a marca Bolsonaro junto – disse o senador.
Eduardo Paes é aliado de Lula Foto: Ricardo Stuckert/ PT
O prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) se mostrou contrariado com uma decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem apoiou fortemente durante a campanha eleitoral. O carioca criticou a indicação do presidente do Sindicato dos Médicos, Alexandre Telles, para comandar a gestão dos hospitais federais no estado.
Em publicação nas redes sociais, Paes questionou se a escolha de Lula havia sido “técnica” e citou o ministro da Casa Civil Rui Costa.
O prefeito chegou a pedir intervenção da ministra da Saúde, Nísia Trindade, frisando que, embora aliado do atual governo federal, não deixaria de se queixar.
– Resista, ministra. Seis hospitais com R$ 5,5 bilhões prestando um péssimo atendimento. Mais de 1.000 leitos fechados. Sou aliado, não nomeio nem quero nomear, mas não vou ficar quieto vendo a saúde da população sendo abandonada – declarou.
O departamento que será comandado por Telles é responsável pelos seguintes hospitais federais no Rio de Janeiro: Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e dos Servidores.
Pastora Raquel Santiago Foto: Pleno.News/Priscila Ramalho
Nesta terça-feira (7), aconteceu o Troféu Gerando Salvação, no Espaço das Américas, em São Paulo. Criada em 2015, a premiação tem como objetivo homenagear os grandes nomes da música e da comunicação gospel.
A iniciativa é da pastora Raquel Santiago, filha do apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus. Ao todo, a premiação teve 15 categorias e muitas apresentações.
A grande vencedora da noite foi Maria Marçal. Com apenas 13 anos, a jovem artista venceu nas categorias Artista Revelação, Artista Mirim e Música do Ano.
– Eu estou muito feliz e honrada de estar aqui. Eu lembro de assistir ao Troféu na sala de casa, com a minha família, pelo celular. Agradeço a Deus; à minha família que sempre esteve ao meu lado; à gravadora mais top do Brasil, MK Music e também à tia Marina [de Oliveira, presidente da gravadora] e toda equipe. O Deus que me fez sonhar é o mesmo que me faz realizar hoje – discursou.
Ao vencer pela terceira vez, Maria Marçal subiu ao palco emocionada.
– E não estou acreditando, mas Deus é fiel. Eu canto desde os 3 anos de idade e eu vejo as promessas de Deus se cumprindo na mina vida.
Compositor de Deserto, canção que ganhou na categoria Música do Ano, Anderson Freire recebeu um troféu das mãos do apóstolo Valdemiro.
Maria Marçal Foto: Pleno.News/Priscila Ramalho
A homenagem do ano foi para o Diante do Trono, grupo liderado pela cantora e pastora Ana Paula Valadão que está comemorando 25 anos. Subiram ao palco para cantar na celebração: Melk Villar, Lukas Agustinho, Thaiane Seghetto, Noemy Limas, Lu Alone e Marcos Freire.
– Obrigada a cada um de vocês. Foi uma grande surpresa – disse Ana Paula Valadão, emocionada. Ao lado dela estavam cantores que fizeram parte do grupo ao longo dos anos.
Anderson Freire / Foto: Divulgação/Troféu Gerando Salvação
Heloisa Rosa / Foto: Divulgação/Troféu Gerando Salvação
Raquel Santiago / Foto: Divulgação/Troféu Gerando Salvação
Michel Barcellos - vencedor na categoria Produtor do Ano / Foto: Divulgação/Troféu Gerando Salvação
Maria Marçal e Isaque Marins / Foto: Divulgação/Troféu Gerando Salvação
Elaine de Jesus / Foto: Divulgação/Troféu Gerando Salvação
Vitória Souza - vencedora na categoria Digital Influencer / Foto: Divulgação/Troféu Gerando Salvação
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Outro momento muito emocionante para todos os presentes foi quando o cantor e apresentador Yudi Tamashiro subiu ao palco para dar uma palavra. Ele compartilhou um pouco de sua história e orou.
– Eu já cantei no Rock in Rio, eu já cantei em vários lugares e eu nunca vi um potencial como eu vi em cima desse palco. Eu nunca fiquei tão arrepiado como eu fiquei aqui. (…) O maior prêmio é ser um instrumento nas mãos de Deus – testemunhou.
PRODUTOR DO ANO Ed Oliver Everson Menezes Hananiel Eduardo Johnny Essi Maestro Henrique Oliveira Maestro Tiago Oliveira Matheus Charles Michel Barcellos – vencedor Tadeu Chuff
BANDA, GRUPO OU DUPLA André e Felipe Canção e Louvor Gislaine e Mylena Jefferson e Suellen – vencedores Kemuel Morada Oficina G3 Som e Louvor Vocal Livre PORTAL EVANGÉLICO Crente Sincero Deus Nunca Falhou Gospel Channel Gospelmente – vencedor Pleno.News Senhora Gospel
MÚSICA CELEBRAÇÃO Banda Som e Louvor & Stella Laura – Quem Viver Será – vencedora Diante do Trono – Sim e Amém DJ PV – Me Faz Viver DJ PV & Lorena Chaves – Dança Eli Soares – Vem com Josué Lutar em Jericó Israel Soares – Não mais Escravo Izabela Ryos – Eu te Louvarei Theo Rubia – A Alegria do Senhor
ARTISTA REVELAÇÃO Esther Fiaux Maria Marçal – vencedora Raquel Olliver Sophia Vitória Victin Vitória Souza
FEAT DO ANO André e Felipe & Isadora Pompeo – Cuido dos Detalhes Bruna Karla & Anderson Freire – Acima da Média Daniela Araújo & Jessé Aguiar – Promessas Kellen Byanca & Jessé Aguiar – Por causa Dele Maria Marçal & Isaque Marins – Gerado no Altar Pedro Henrique & Vitória Souza – Levanta Raquel Olliver & Kellen Byanca – Vou Marcar tua História Sarah Beatriz & Samuel Messias – Promessas – vencedor Thalita Roberta & Maria Marçal – Se não Fosse Deus
VIDEOCLIPE Aline Barros – Jeová Jireh Daniela Araújo & Jessé Aguiar – Promessas Daniel Berg & Theo Rubia – Até que eu não Consiga mais Ficar de pé Jessé Aguiar – A Reforma Kellen Byanca – Está tudo bem Kellen Byanca & Jessé Aguiar – Por Causa Dele – vencedor
RÁDIO DO ANO 93 FM Adore Mais Cidade Esperança Gospel FM Maranata Musical Novo Tempo Sara Brasil – Curitiba – vencedora
DIGITAL INFLUENCER Fabíola Melo Gaaby Oliveira Guilherme Batista Israel Targino Jey Reis Matheus Ferreira Ricardo Hong Vitória Souza – vencedora
ARTISTA MIRIM Esther Fiaux Isaque Marins Kellen Byanca Maria Marçal – vencedora Sophia Vitória Thalita Roberta
PROJETO INFANTIL 3 Palavrinhas – vencedor Bunekão Minha Vida é Uma Viagem O Grande Livro Pequenos Atos Turma do Cristãozinho Yasminzinha
CANTORA DO ANO Bruna Karla Daniela Araújo Gabriela Rocha – vencedora Isadora Pompeo Nathalia Braga Sarah Beatriz Stella Laura Valesca Mayssa
CANTOR DO ANO Anderson Freire Isaías Saad Jessé Aguiar Leandro Borges – vencedor Pedro Henrique Samuel Messias Thalles Roberto Ton Carfi
MÚSICA DO ANO Deserto – Maria Marçal – vencedora Está tudo bem – Kellen Byanca Por causa Dele – Kellen Byanca & Jessé Aguiar Bondade de Deus – Isaías Saad Eu Permiti o Vento – Vitória Souza Os Sonhos de Deus – Gabriela Rocha Promessas – Sarah Beatriz & Samuel Messias A Reforma – Jessé Aguiar Eu Creio – Gabriela Rocha Descendência – Pedro Henrique
Nikolas Ferreira e Thais Carla Fotos: Reprodução/Redes Sociais
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a se manifestar acerca da polêmica entre ele e a influenciadora Thais Carla. Desta vez, o parlamentar relembrou um episódio em que a influenciadora comentou sobre o corpo de outra mulher, apontando a magreza da top model Gisele Bündchen.
Em vídeo compartilhado pelo vereador nesta segunda-feira (6), Thais chama a modelo brasileira de “tripa”.
– (…) É um papelzinho…Você não sabe se quando ela [Gisele] vira é lado ou frente – disse, aos risos.
Na legenda, Nikolas apontou: “Ela pode zuar, mas não pode ser zuada?”.
Confira:
INDENIZAÇÃO Thais Carla quer ser indenizada por uso indevido de sua imagem por parte de Nikolas Ferreira. De acordo com o G1, a defesa deve pedir R$ 52.080.
Segundo as advogadas Ives Bittencourt e Janaína Abreu, que representam Thais Carla, “estar ocupando o cargo de deputado federal não autoriza o político a violar a legislação vigente no país”.
– Estar ocupando o cargo de deputado federal não autoriza o político a violar a legislação vigente no país. Como especialistas em direito de imagem e em crimes cibernéticos, destacamos que a liberdade de expressão não é absoluta. Sendo assim, entendemos que o sr. Nikolas Ferreira violou, para além da imagem, a honra da nossa cliente – disseram.
A polêmica começou no último sábado (4), quando o deputado comentou a respeito de uma foto em que Thais Carla, que é obesa, está fantasiada de Globeleza. Na legenda, o parlamentar comentou: “Tiraram a beleza e ficou só o Globo”.
Ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE e ministro do STF Fotos: LR Moreira/Secom/TSE
Nesta segunda-feira (6), o jornal O Estado de São Paulo “surpreendeu” ao publicar um editorial com críticas a atuação de um integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). No texto, o veículo falou sobre declarações de Alexandre de Moraes em um evento empresarial e afirmou que o “protagonismo fora dos autos de ministros do Supremo não faz bem ao” Brasil.
O caso em questão ocorreu após Moraes falar sobre casos em segredo de justiça e citar investigações a respeito de financiadores de protestos e sobre as declarações do senador Marcos do Val, quando falou sobre um suposto plano para gravar o ministro.
Para o Estadão, é “absolutamente inconveniente, para dizer o mínimo, que um ministro do STF se considere autorizado a tecer comentários a respeito de casos sob sua jurisdição”. Para o jornal, o “protagonismo fora dos autos de ministros do Supremo não faz bem ao país. Fora dos limites da lei não há caminho saudável. Não há construção de soluções”.
Além disso, o veículo apontou que não é prudente “que ministros do Supremo aceitem participar de eventos privados em que figuram como estrelas, de quem se espera, justamente por isso, ouvir informações e comentários que forneçam pistas sobre suas inclinações no julgamento de casos de grande repercussão”.
Veja a íntegra do editorial:
O necessário silêncio dos juízes Em evento empresarial do qual participaram mais três integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes voltou a falar de casos sob sua jurisdição, alguns deles que correm em segredo de Justiça. “As investigações da Polícia Federal continuarão e vamos analisar a responsabilidade de todos aqueles que se envolveram na tentativa de golpe (de 8 de janeiro). Temos informações adiantadíssimas sobre os financiadores, desde o ano passado”, disse o magistrado.
No evento, Alexandre de Moraes comentou sobre a história contada pelo senador Marcos do Val, a respeito de suposta articulação golpista envolvendo o ex-deputado Daniel Silveira e o ex-presidente Jair Bolsonaro. “A ideia genial que tiveram foi colocar escuta no senador. (…) Para que o senador pudesse me gravar e, a partir dessa gravação, pudesse solicitar a minha retirada da presidência dos inquéritos”, disse. “Foi exatamente esta a tentativa de uma operação Tabajara que mostra o quão ridículo nós chegamos à tentativa de um golpe no Brasil.”
É absolutamente inconveniente, para dizer o mínimo, que um ministro do STF se considere autorizado a tecer comentários a respeito de casos sob sua jurisdição, avaliando se a manobra golpista era factível, se estava bem estruturada, se foi bem pensada. Ao que se sabe, as investigações ainda estão em andamento. No entanto, o relator considera-se habilitado a manifestar publicamente sua visão dos fatos.
Esse protagonismo fora dos autos de ministros do Supremo não faz bem ao País. Fora dos limites da lei não há caminho saudável. Não há construção de soluções. A Lei Orgânica da Magistratura é cristalina. “É vedado ao magistrado manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério” (art. 36, III).
A necessária defesa da democracia por parte do Judiciário é feita nos autos. Isso não é uma limitação ocasional, fruto de circunstâncias excepcionais. Trata-se do reconhecimento do papel e do âmbito de funcionamento da Justiça: a magistratura exerce sua função nos autos. Não há outro modo de atuar. Como afirmou o próprio Alexandre de Moraes, ao falar de uma suposta acusação que o senador Marcos do Val lhe teria feito oralmente – mas que não a colocou por escrito –, “o que não é oficial, para mim, não existe”.
A contribuição do Judiciário não se dá por meio de entrevistas, muito menos com participação em eventos de empresários. É claro que, como quaisquer cidadãos, os ministros do Supremo têm direito à própria opinião, mas, enquanto integrantes do tribunal que dá a última palavra no Judiciário, esses magistrados fazem bem quando guardam suas opiniões para si mesmos ou as compartilham somente com amigos e parentes. O País não precisa que ministros debatam publicamente sobre a vida nacional; precisa, sim, que eles exerçam seu trabalho de modo silencioso, eficiente, dentro dos prazos e cumprindo as regras de competência.
Ademais, não é prudente que ministros do Supremo aceitem participar de eventos privados em que figuram como estrelas, de quem se espera, justamente por isso, ouvir informações e comentários que forneçam pistas sobre suas inclinações no julgamento de casos de grande repercussão. E não só isso: é igualmente imprudente participar de eventos com empresários que não raro têm interesse em processos que tramitam no Supremo. Não se trata aqui de duvidar do caráter deste ou daquele ministro; trata-se de lembrar das razões pelas quais a Justiça é retratada como uma senhora vendada.
É tempo de maturidade. Assim como a liberdade de crítica não dá direito de ameaçar os integrantes do Supremo, o reconhecimento de eventuais equívocos por parte de ministros, com a consequente e necessária mudança de atitude pública, não significa anuência com os detratores do STF. É antes a melhor defesa da Corte. O compromisso é com a Constituição, não com os erros.