Davi Alcolumbre Foto: kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anulou nesta quinta-feira (27) os votos registrados pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na sessão que analisou vetos presidenciais.
Segundo Alcolumbre, o sistema apontou que Eduardo votou de forma “irregular”. O senador informou ao plenário que o registro eletrônico feito pelo deputado contrariou as regras da Câmara, que impedem voto de parlamentares que estejam fora do Brasil.
Alcolumbre citou o parecer da Mesa da Câmara que proibiu, nesta quarta (26), o uso do aplicativo Infoleg por deputados que estejam no exterior e não integrem missão oficial. O entendimento foi assinado pelo secretário-geral adjunto Bruno Ávila da Mata Sampaio e aceito pelo presidente Hugo Motta.
Mesmo com a nova regra, Eduardo Bolsonaro apareceu como votante no site do Congresso na sessão que derrubou vetos do presidente Lula. O parlamentar, no entanto, está nos Estados Unidos desde fevereiro.
O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em postagem nas redes sociais, nesta quinta-feira (27), que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou uma “crise acentuada” e que médicos foram acionados após episódios persistentes de soluços e refluxo ao longo do dia. Segundo ele, o quadro teria começado durante a noite passada.
– Acabo de receber a informação de que meu pai acaba de ter mais uma crise acentuada que já vinha se arrastando. Os médicos foram acionados nesta tarde (27) diante da persistência de soluços e refluxos que começaram durante a noite e continuaram ao longo do dia. Ele não vai sobreviver frente a essa injustiça – escreveu o filho do ex-presidente em seu perfil no X.Até o momento, não houve atualização oficial sobre o estado de saúde do ex-presidente. A defesa foi contatada, mas não houve retorno.
Na manhã desta quinta, Bolsonaro recebeu a visita do filho Jair Renan Bolsonaro (PL), vereador de Balneário Camboriú (SC), e da mulher, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde ele cumpre pena pela tentativa de golpe de Estado.
Michelle deixou o prédio sem falar com a imprensa. Já Jair Renan reiterou que o pai enfrenta crises de soluço constantes, incluindo um episódio ocorrido durante a madrugada.
– Ele está fragilizado. Está muito triste com tudo que está acontecendo – disse.
– Eu vim tentar levantar o ânimo do meu velho – afirmou Jair Renan, que levou um livro de caça-palavras para o pai.
Lula, Zema, Tarcísio e Michelle são nomes cotados para 2026 Fotos: PR/Ricardo Stuckert // Reprodução/YouTube Romeu Zema // EFE/Sebastião Moreira // Divulgação/PL
Com os recentes anúncios das pré-candidaturas ao Palácio do Planalto em 2026 do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-deputado federal Cabo Daciolo, o cenário da corrida presidencial de 2026 começa a ganhar forma. Nomes como dos governadores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) já tinham confirmado seus interesses na disputa, mas outros ainda são cogitados.
PRÉ-CANDIDATURAS CONFIRMADAS
Lula Foto: Ricardo Stuckert / PR
O atual chefe do Executivo disse com todas as letras, nesta quinta-feira (23), que vai concorrer ao quarto mandato de presidente da República. A informação foi confirmada durante uma declaração conjunta à imprensa na Indonésia ao lado do presidente do país asiático, Prabowo Subianto. A fala ocorre às vésperas do 80° aniversário do petista, que acontece na próxima segunda (27).
– Vou disputar um quarto mandato no Brasil. Eu estou lhe dizendo isso, porque nós ainda vamos nos encontrar muitas vezes. Esse primeiro mandato só termina em 2026, no final do ano. Mas eu estou preparado para disputar outras eleições e tentar fazer com que a relação entre Indonésia e Brasil, por demais, seja valorosa. E que a nossa relação traga mais empresários brasileiros para visitar a Indonésia – disse.
Romeu Zema
Romeu Zema lança pré-candidatura ao Palácio do Planalto Foto: Reprodução/YouTube Romeu Zema
O governador de Minas Gerais também já lançou seu nome na disputa presidencial. Em agosto deste ano, durante o Encontro Nacional do Partido Novo, em São Paulo, o gestor estadual disse que seu objetivo era “chegar a Brasília para varrer o PT do mapa”.
– Se deu pra deixar o estado mais leve em Minas, dá para fazer no Brasil. Existe um Brasil produtivo, moderno, competitivo e à espera de um governo sério. O Brasil que queremos é o que trabalha, arrisca, vence e dá orgulho. É com esse Brasil bravo que nós vamos chegar a Brasília, para varrer o PT do mapa – resumiu.
– Sim, eu sou um pré-candidato à Presidência da República. Busco este caminho, é uma aspiração legítima de quem foi prefeito, governador e quer muito contribuir com o Brasil – disse ele, na ocasião.
No entanto, o atual partido de Leite, o Partido Social Democrático (PSD) – ao qual ele se filiou também em maio deste ano -, ainda não tem a situação 100% definida para 2026, já que o governador do Paraná, Ratinho Júnior, é outro nome que tem sido cogitado.
Ronaldo Caiado
Ronaldo Caiado, governador de Goiás Foto: José Cruz/Agência Brasil
Filiado ao União Brasil, o governador de Goiás lançou sua pré-candidatura a presidente em abril deste ano, durante um evento realizado em Salvador, na Bahia. Na ocasião, estavam presentes políticos como ACM Neto e o senador Sergio Moro (União Brasil-PR). Mesmo após alguns meses do anúncio, o político fez questão de reiterar, em uma entrevista na última segunda (20), que segue na disputa.
– Eu continuo candidato à presidência da República pelo União Brasil e, lógico, sabendo que o meu diálogo com todos os outros partidos é uma coisa normal na vida pública. Ninguém sai candidato a presidente, a governador ou prefeito em apenas um partido – apontou.
Cabo Daciolo
Cabo Daciolo no debate em 2018 Foto: Reprodução/TV Band
Nesta quarta (22), o ex-deputado federal declarou que é pré-candidato ao Planalto. Em seu perfil no Instagram, Daciolo confirmou a informação e postou um breve texto no qual disse que pretende “transformar a colônia brasileira em nação brasileira”, além de compartilhar versículos bíblicos do livro de Jeremias.
– “Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Criador, “planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês” – escreveu Daciolo, com um trecho do capítulo 29 de Jeremias.
NOMES ESPECULADOS
Ratinho Júnior
Ratinho Jr. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O governador do Paraná é um nome frequente nas conversas sobre a disputa presidencial do próximo ano, mas não chegou a confirmar categoricamente que é pré-candidato ao Planalto. Em uma entrevista concedida em setembro, Ratinho Júnior disse que a decisão sobre sua candidatura era de seu partido, o PSD, que também tem Eduardo Leite na disputa.
– Quem vai dizer isso [candidatura] é o partido, no momento adequado. É claro que 2026 se discute em 2026, mas eu fico feliz por meu nome estar sendo discutido nacionalmente dentro do partido – declarou.
Tarcísio de Freitas
Tarcísio de Freitas durante ato na Av. Paulista Foto: EFE/Sebastião Moreira
Quem também surge como um dos possíveis rivais de Lula em 2026 é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). No entanto, a indefinição sobre a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o pleito do próximo ano mantém a situação do chefe do governo paulista em aberto. Publicamente, Tarcísio tem sustentado que sua prioridade seria a disputa pela reeleição em São Paulo.
– Eu pretendo concorrer à reeleição – disse Tarcísio, durante uma entrevista coletiva em setembro.
Michelle Bolsonaro
Michelle Bolsonaro Foto: Divulgação/PL
A ex-primeira-dama também tem aparecido como um nome forte na disputa contra Lula em 2026, segundo os levantamentos divulgados ao longo deste ano. Em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, em setembro, ela admitiu que pode ser candidata no próximo ano, mas não confirmou o cargo para o qual concorreria.
– Vou me levantar como uma leoa para defender nossos valores conservadores, verdade e justiça. Se, para cumprir a vontade de Deus, for necessário assumir uma candidatura política, estarei pronta para fazer o que Ele me pedir – disse.
Eduardo Bolsonaro
Deputado Eduardo Bolsonaro Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Outro nome da direita que tem sido especulado na disputa presidencial de 2026 é o do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Morando atualmente nos Estados Unidos, a escolha de Eduardo para a corrida pelo Planalto também dependerá da definição da situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro para o pleito do próximo ano.
Câmara dos Deputados Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Parlamentares da oposição afirmaram, nesta quarta-feira (26), que o projeto de anistia para os presos do 8 de janeiro não entrou na pauta do dia na Câmara dos Deputados, frustrando a expectativa de votação ainda nesta semana.
O deputado Maurício Marcon (Podemos-RS) criticou, na tribuna, a lista de projetos escolhidos para a sessão e reclamou de temas que, segundo ele, não teriam urgência. Entre eles, criação de cargos no CNJ, doação de aeronaves ao Paraguai e propostas que classificou como “inúteis”. O deputado também acusou o plenário de evitar desgaste com a votação da anistia.
– Tudo isso pra que não haja pressão pra votar o que o Brasil quer, que é a anistia – declarou.
Ele ainda mencionou generais e apoiadores presos, além de criticar decisões do Judiciário.
– Heróis nacionais como o general Heleno estão presos enquanto Sérgio Cabral desfruta da vida – afirmou.
Nas redes sociais, Mario Frias (PL-SP) comentou o adiamento.
– Não vai sair hoje! E não vai fácil. Mas desistir não é uma opção – escreveu.
O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) gravou um vídeo explicando o impasse e apontou a falta de apresentação do texto pelo relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Segundo ele, isso impede qualquer avanço. O parlamentar lembrou que a urgência da proposta recebeu 311 votos e que o mérito depende apenas de maioria simples.
Gayer afirmou que a oposição está mobilizada. Ele citou o trabalho de Zucco (PL-RS), Nikolas Ferreira (PL-MG), e dos senadores, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Rogério Marinho (PL-RN) entre outros. Disse também que o grupo está “refém da pauta” e que a demora atrapalha a busca de apoio.
– A votação foi adiada porque o texto não foi apresentado. Só conhecemos trechos que o relator comenta na imprensa. Precisamos ter acesso ao texto para deliberar – afirmou.
O deputado goiano ainda pediu paciência aos apoiadores e reforçou que a meta é votar a proposta na próxima semana.
– Não podemos terminar o ano com o general Heleno, com o Bolsonaro e com centenas de pessoas nessa situação. Elas não podem passar por mais um Natal assim — declarou.
Gayer concluiu dizendo que a aprovação depende de articulação com o centro.
– Somos cerca de 100 num universo de 500. Ali no meio tem 300 que precisam ser conversados. Não é fácil, mas seguimos – disse.
Aldo Rebelo Foto: Reprodução/ Print de vídeo Twitter Aldo Rebelo
Nesta quarta-feira (26), o ex-ministro Aldo Rebelo, que já atuou nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), publicou um pronunciamento oficial sobre a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o início do cumprimento das penas dos oficiais-generais condenados por tentativa de golpe de Estado no mesmo processo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os ex-generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira e o ex-almirante Almir Garnier ficarão presos em instalação militar. Moraes também determinou a execução da pena do general Braga Netto que já estava detido em quartel no Rio de Janeiro. Ele permanecerá no mesmo local onde já estava preso.
Segundo Rebelo, o episódio se reveste de muita gravidade. Ele destacou que trata-se de uma condenação política.
– Nós não temos oficiais generais acusados de crime comum. Eles não roubaram, não desviaram recursos das Forças Armadas. Eles receberam uma condenação política. Às vezes, dá impressão que é uma revanche tardia de 1964 – falou.
A esposa do deputado Alexandre Ramagem afirmou que foi surpreendida, no dia 17 de novembro, com um mandado de busca pessoal no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando embarcava com as duas filhas para encontrar o parlamentar nos Estados Unidos.
A procuradora do Estado de Roraima, concursada desde 2015, viajava com as meninas, de 14 e 7 anos, quando agentes retiraram as malas da família do voo e apreenderam celulares, computadores e outros itens. Ela relatou o episódio em suas redes sociais.
– O constrangimento, o medo e a covardia que vivenciamos não podem ser descritos – escreveu.
A servidora afirmou que não é alvo de processo judicial e que atua no serviço público há 22 anos.
– O único e ilegal motivo apontado para essa ação é o fato de ser casada com Alexandre Ramagem. Conseguimos embarcar porque não havia nada irregular.
Por fim, ela criticou decisões recentes do Supremo.
– Confesso que toda minha experiência e estudos nesses anos atuando na área jurídica não se aplicam mais no Brasil. Essa prática de abusos por parte de membros do STF, com ilegalidades cada vez mais absurdas e frequentes, não pode perdurar.
Segundo ela, seguirá defendendo “normalidade constitucional, verdadeira justiça e garantia de direitos”.
O casal e as filhas ficarão nos EUA, mas Moraes já solicitou para que a Polícia Federal providencie o pedido de extradição do deputado federal, para que ele possa cumprir a pena no Brasil. Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão pelo plano de tentativa de golpe de Estado.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou, nesta terça-feira (25), que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permaneça na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele está preso no local desde o último sábado (22). Agora, cumprirá a pena de 27 anos e três meses.
Na decisão em que determinou que Bolsonaro continue na sala de Estado-Maior na PF, Moraes ainda determinou a realização de “exames médicos oficiais para o início da execução da pena, inclusive fazendo constar as observações clínicas indispensáveis ao adequado tratamento penitenciário”.
Transferir Bolsonaro para a Penitenciária da Papuda agora provocaria uma comoção popular e política que o STF tenta evitar. Diante do inevitável trauma institucional de prender um ex-presidente da República condenado por suposta tentativa de golpe, a ordem na Corte é que isso seja feito da forma mais discreta possível.
Nesta segunda-feira (24), houve troca de película da porta onde o ex-presidente foi avistado por fotógrafos no dia anterior, na intenção de preservar tanto quando possível a imagem do réu.
Um dos objetivos é ressaltar a diferença no estilo do atual comando da PF em relação à época da Lava Jato. Quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi preso, em 2018, havia uma multidão de apoiadores do petista no local, o que ressaltou a divergência política por trás da medida imposta pelo então juiz Sergio Moro.
O comprometimento com a discrição da prisão de Bolsonaro não vem apenas do STF e da PF. No último dia 17, o comandante do Exército, Tomás Paiva, pediu a Moraes que os militares condenados pela suposta trama golpista não fossem algemados no momento da prisão. A conversa ocorreu na residência do general, em Brasília. O ministro da Defesa, José Múcio, também estava presente.
Entre os militares condenados pelo STF estão o general Paulo Sérgio Nogueira, que comandou o Exército e foi ministro da Defesa, e Augusto Heleno, que chefiou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Ambos atuaram na gestão de Bolsonaro e vão cumprir pena em uma unidade militar.
Generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Foto: Lula Marques e Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira foram presos nesta terça-feira (25) no Comando Militar do Planalto, em Brasília, para iniciarem o cumprimento das penas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A ordem foi expedida após o fim do prazo de recursos no processo que condenou os oficiais por tentativa de golpe de Estado no mesmo caso do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mesmo com novos pedidos apresentados pelas defesas no limite do prazo, Moraes rejeitou as contestações e confirmou o trânsito em julgado.
Heleno foi condenado a 21 anos de prisão, enquanto Paulo Sérgio recebeu pena de 19 anos. A detenção foi feita pelo próprio Exército, em ação coordenada com a Polícia Federal, que levou os militares às instalações onde permanecerão presos.
A decisão também atinge o ex-almirante Almir Garnier, que ficará em unidade militar, e mantém o general Braga Netto no quartel do Rio de Janeiro onde já se encontra detido.
Integrantes do Exército e da Polícia Federal confirmaram que a ordem foi comunicada ainda na noite de segunda-feira (24), abrindo caminho para o início do cumprimento definitivo das penas impostas pelo STF.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), marcou para o dia 10 de dezembro a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Alcolumbre informou que a votação da indicação de Messias ocorrerá no mesmo dia na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
A indicação de Messias não agradou o presidente do Senado. Alcolumbre preferia que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) fosse o nome indicado pelo STF. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu optar, no entanto, por seu auxiliar direto.
Coronel Zucco Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Parlamentares da oposição divulgaram nesta terça-feira (25) uma nota em que afirmam que o trânsito em julgado do processo contra Jair Bolsonaro e ex-integrantes do governo representa a “consolidação de um estado de exceção” no país.
No texto, a liderança cita que Bolsonaro, o general Augusto Heleno, o ex-ministro Anderson Torres e outros servidores estão presos após dedicarem “suas vidas ao país”. A nota afirma que eles foram expostos à “humilhação” e vítimas de “perseguição política”.
O grupo acusa as instituições de falência moral e jurídica e aponta supostas irregularidades no processo, como “investigação forjada”, “juízes suspeitos”, falta de contraditório e nulidades. A crítica também mira o ministro Alexandre de Moraes por ignorar embargos apresentados pela defesa.
Segundo a nota, a mensagem enviada ao país é que “nenhum opositor do atual regime está a salvo” e que o Judiciário estaria atuando como “instrumento de intimidação”.
O texto termina com o deputado Zucco (PL-RS), líder da Oposição na Câmara, reafirmando que o grupo vai continuar atuando, “dentro e fora do Parlamento”, pela restauração da democracia e das garantias individuais.
Leia na íntegra: NOTA OFICIAL – LIDERANÇA DA OPOSIÇÃO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS
Hoje é um dia de profunda tristeza, indignação e alerta para todos aqueles que ainda acreditam na democracia e no Estado de Direito. O trânsito em julgado do processo envolvendo o presidente Jair Bolsonaro, o General Augusto Heleno, o ex-ministro Anderson Torres e outros servidores públicos honrados marca a consolidação definitiva de um estado de exceção no Brasil.
Homens que dedicaram suas vidas ao país — que serviram à pátria com honra, coragem e espírito público — estão hoje atrás das grades, expostos à humilhação, à execração e a um processo de perseguição política que não encontra paralelo na nossa história republicana. Enquanto isso, os verdadeiros bandidos e corruptos, protagonistas do mensalão, do petrolão e de tantos outros escândalos que dilapidaram o patrimônio nacional, retomaram o poder e comandam, sem pudor, os destinos da nação.
O que vemos é a falência moral e jurídica das instituições. Este processo sempre foi marcado por irregularidades desde o primeiro dia: investigação forjada, juízes suspeitos, ausência de contraditório, nulidades evidentes, inversão completa da ordem legal e — agora, na fase final — embargos ignorados sumariamente pelo ministro Alexandre de Moraes. Um atropelo do devido processo legal que não se admite nem nos regimes mais autoritários.
A mensagem é clara e gravíssima: nenhum opositor do atual regime está a salvo. A perseguição é implacável, seletiva e dirigida. O Judiciário abandona sua missão constitucional para se transformar em instrumento de intimidação.
A Oposição registra seu repúdio e reafirma que continuará lutando, dentro e fora do Parlamento, para restaurar a plena democracia, a legalidade e as garantias individuais no Brasil. Não nos calaremos diante dessa injustiça histórica nem diante da destruição dos pilares que sustentam a liberdade e a República.
Deputado Federal Zucco (PL-RS) Líder da Oposição na Câmara dos Deputados